Cara louco em uma bicicleta

Gente! Olha que instinto louco do cara em impedir a menina de bicicleta que atravessasse e acabasse sofrendo um acidente! Foi muito rápido. Assista um louco em uma bicicleta com foguete alcançando 333 km/h em 5 segundos Por Natasha Romanzoti , em 10.11.2014 Provavelmente ninguém nunca imaginou que uma bicicleta pudesse ser mais veloz do que carros de corrida e motos gigantes. Ricardo Martins é o “louco” em questão. Um cara muito gente boa que tem um projeto fodástico chamado Roda Mundo, que é tão sensacional que eu não poderia deixar de compartilhar por aqui. Em 2010, eu estava planejando um mochilão e acabei chegando sem querer ao blog do Ricardo. Em uma apresentação em Granada, a bicicleta realmente quebrou, no meio do número, e o público a celebrou como se fosse uma piada. Eu caí inúmeras vezes. E, com 65 anos, continuo fazendo isso, com muitas dores, sem dizer uma única palavra e acompanhado por músicas do Cotton Club , o trompetista Wynton Marsalis e, no final, uma marcha ... Mas o editor da UTNE, Keith Goetzman, não possui tais sensíveis sensibilidade apolíticas; ele vai direto para eles em Como não falar com um ambientalista de bicicleta, listando algumas das coisas que o deixaram louco: 'Se você precisar encontrar um conservador cara a cara, use um terno! Não o matará. Enfim, basta fazer uma análise de risco ou levar algum tombo para começar a refletir sobre. Eu já fui um moleque imbecil em cima de uma bike muito antes de “virar moda” e acho que sei o que estou falando. – Para o restante das vias, um ponto negativo das ciclovias é transmitir ao motorista que lugar de bike não é na rua. Bicicletas antigas: uma moda que não passa. A bicicleta como conhecemos hoje foi inventada na França, em 1860, por Pierre Michaux. Em 1865, ele inaugurou a primeira fábrica de bicicletas do mundo, a Biciclos Michaux. Bicicleta de equitação do empresário. Jovem louco. Homem louco com uma carta. Uau expressão com a t-shirt vermelha. Homem com megafone. Jovem empresário louco. Louco barbudo cara no óculos comer passaporte e bilhete isolado no amarelo. ... Cara louco em fúria segurando um taco de beisebol e galo. O que é uma boa moto de BMX? cara há apenas 1 boa marca de bicicleta lá fora no mercado e é um huffy. Todos os huffys são o melhor RESPOSTA MELHOR- Desculpe, mas esse lixo acima é uma mentira, há muitas motos diferentes lá fora, ir a qualquer loja se não aqui estão alguns bons sites para visitar algumas ótimas motos, backbone bmx (google it) torção E muitos outros apenas olham ...

Os grandes acontecimentos do futebol brasileiro e europeu da década

2019.12.22 15:59 artur-fernand Os grandes acontecimentos do futebol brasileiro e europeu da década

Encerrado o Mundial, chegamos ao fim da década de 2010. Fiz então uma lista de eventos e jogos marcantes durante estes 10 anos.
É uma lista menos parcial e enviesada possível, com acontecimentos que pessoas no geral podem ler e pensar "caralho, eu lembro disso. Embaçado". Tenho certeza que os torcedores podem lembrar de grandes momentos de seu time em específico, mas não é esse o foco aqui. Pode ser que eu tenha sido enviesado sem querer mesmo assim, desculpem aí.
Se esqueci de algo, me lembrem nos comentários aí
Acontecimentos da década no geral:
2010:
2011:
2012:
2013:
2014:
2015:
2016:
2017:
2018:
2019:
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2019.12.13 01:57 SunTzuManyPuppies História: Como fui pra Alemanha aos 17 anos, algumas histórias da minha vida lá, e como me infiltrei no backstage de um festival de metal.

Esses dias fiz uma thread contando de quando comi pizza com o Motorhead. O post teve uma boa recepção, então resolvi escrever a história de quando me infiltrei no backstage de um festival na Alemanha. Só que detalhei demais, e acabou ficando mais um relato geral da minha experiência na Alemanha e uns contos que ocorreram por lá, e MUITO mais longo que o esperado! Se quiserem pular, a parte do festival está mais ou menos na metade.

Eu sempre tive dificuldade com os estudos. Reprovei a sexta série, e cada série seguinte foi uma tortura, passando de ano em ano sempre no limiar da esperança. Não é que eu era burro (não muito, pelo menos), inclusive sempre li muito, e tinha um conhecimento geral relativamente bom. Estudei meus primeiros anos em escola bilingue, e aos 3 anos eu lia fluentemente em português e inglês. Minha mãe achava que eu seria um prodígio, coitada... A questão é que eu não prestava atenção. Não suportava ficar parado numa sala de aula, me distraía com qualquer coisa. Eu simplesmente não escutava. Somando o fato de eu ser naturalmente preguiçoso, isso me rendeu muitos problemas durante o tempo de escola. Ironicamente, com 27 anos fui diagnosticado com déficit de atenção e hiperatividade, o que explicou muita coisa.
Quando terminei o segundo ano do ensino médio, falei pra minha mãe que não iria fazer o terceirão. “Ok”, ela disse. Ela sempre foi uma pessoa não convencial, e considerava todo o sistema escolar “bullshit”, nas palavras dela. Então decidimos juntos que eu iria passar um tempo na Alemanha, na casa de amigos da nossa família que estavam dispostos a me receber e me sustentar por lá. Tipo um intercâmbio mesmo. Eles tinham um filho da minha idade chamado Danny.
Meu pai, que Deus o tenha, fez um empréstimo e comprou minha passagem com volta pra Dezembro, e lá vou eu, em Fevereiro, sem falar um cu de alemão pra uma cidade de 100.000 habitantes chamada Cottbus, a 30km da Polônia – onde quase ninguém fala inglês, nem a maioria dos jovens. Suponho que seja algo cultural, por ter sido parte da Alemanha Oriental? Não sei. Sei que isso atrapalhou muito minha adaptação. Cheguei lá com 17 anos recém-completados.
Me matriculei numa escola pública, a mesma que o Danny estudava, o que não sei se fez muito sentido já que eu não falava a língua, mas parecia ser a coisa certa a fazer. Eu não pretendia passar o ano coçando o saco.
O ensino médio alemão é parecido com o americano, onde os alunos escolhem as matérias que vão cursar. Não lembro se haviam matérias obrigatórias, talvez educação física? Mas das que eram escolhidas, duas delas tinham que ser nível avançado, que tinham mais aulas por semana. Eu lembro de ter pego geografia, biologia, música, inglês, informática... e não lembro o resto, sei que ignorei matemática, física e química completamente. E pra matéria avançada escolhi inglês, já que era a aula que eu passaria mais tempo dentro da escola, pelo menos poderia me comunicar. E nas outras matérias não havia chance de treinar o alemão. Eles me liberaram da outra avançada devido à barreira idiomática.
Já ouviu aquela história de alemão ser frio? Pois é. E eu achava que curitibanos eram frios. Sempre fui meio extrovertido, tentava conversar com os outros estudantes, mas todos eram absolutamente indiferentes em relação a mim.
Isso contrastava muito com as escolas no Brasil, que quando eventualmente vinha um aluno de outro país, ele era assediado por todos. Por sorte o Danny me apresentou aos amigos dele e, se não fosse por isso, imagino que teria dificuldade em fazer amizades.
Inclusive uma vez, o único “metaleiro” da escola colocou um anúncio no quadro procurando um guitarrista pra banda dele, com um número de telefone. Nessa época eu já havia abandonado o “estilo” metal, mas comecei na guitarra aos 11 anos e, modéstia à parte, tocava bem pra caralho, e até então já tinha tido várias bandas. Pedi pro Danny ligar pra mim e o cara marcou um ensaio, mas quando ele descobriu que era comigo, ele cancelou. Sem nunca ter trocado uma palavra comigo. #xateado. Eventualmente montei uma bandinha lá, e tocamos em algumas festas.
Educação física era futebol o ano inteiro. Na minha primeira aula eu já havia sido apresentado como brasileiro. Os capitães que escolhiam os times chegaram a discutir pra ver qual time teria o brasileiro. Fui o primeiro a ser escolhido, e cara ficou felizaço que eu ia jogar no time dele. Se fudeu, sempre fui um pereba de marca maior, e a frustração na cara do capitão era visível. A partir desse dia, sempre fui escolhido por último.
Falando em amizades, na minha primeira semana lá, o Danny me chamou pra escalar. Eu topei, claro, e ele disse que o tio dele iria nos buscar. Maravilha. Daqui a pouco chega um jovem com cabelo espetado e cara de bebê, entra na casa direto, me cumprimenta e começa a fazer café da manhã pra ele. Imaginei que fosse um amigo do Danny, e perguntei que horas o tio dele chegaria. “Esse é meu tio”. O cara tinha 19 anos, um ano a mais que o sobrinho. Ele se chamava Sascha, e era um dos poucos (além do Danny) que falava inglês fluente. E ali foi o começo da maior amizade que já tive até hoje. O Sascha se tornou um irmão pra mim, e depois que voltei pro Brasil, ele veio me visitar praticamente todo ano, ficando sempre pelo menos um mês na minha casa. Anos mais tarde chegamos a morar juntos em Berlim por um tempo.
Então, o Danny e o Sascha decidiram fazer uma festa de boas vindas pra mim. A filha do Sascha havia nascido no dia que cheguei, e a então namorada e filha dele ainda estavam no hospital. A festa seria no apartamento do Sascha. Eu tinha 17 anos, já tinha bebido, já tinha ficado bêbado... mas nunca havia bebido como um alemão. Os caras são selvagens no que diz respeito a álcool. Só lembro de poucos flashs dessa noite, mas me recordo de ter acordado vomitado dentro do berço da filha recém-nascida do cara. O início de uma bela amizade.
O Danny estava fazendo auto escola. Alguns dias antes do teste dele, um amigo nosso, Martin, passou lá na casa com o carro do pai dele, um Civic, e nos levou pra um estacionamento vazio pro Danny praticar. Isso devia ser umas 10 e meia da noite. Ficamos uns quinze minutos ali rodando o estacionamento, quando o Martin perguntou se eu queria dar umas voltas também. Meu pai me ensinou a dirigir aos 14 anos, então falei que sim! Sentei no banco do motorista, apertei o cinto e acelerei por não mais que 5 metros, quando surgem dois carros de polícia. Nos param e mandam sair do carro. Menor de idade e sem carteira... fazem teste do bafômetro em mim, e nos deixam um tempão esperando enquanto falam no rádio. Meus amigos tentaram argumentar, mas os caras só ficavam mais putos. Eventualmente nos levaram pra casa na viatura, e pegaram os dados do meu passaporte.
Alguns dias depois chega uma carta do juiz falando que o que fiz foi gravíssimo e absolutamente inaceitável, e que eu corria risco de ser deportado. Na carta, ele pediu pra eu enviar a minha versão dos fatos, então foi o que eu fiz. Contei exatamente o que aconteceu, embelezando um pouco os fatos (“no Brasil não temos carros como na Alemanha, e meu sonho era dirigir um carro alemão”). Duas tensas semanas depois, recebo a resposta do juiz. “O susto foi punição suficiente. Não dirija novamente sem carteira”. Já o Martin levou uma multa nervosa.
Depois de alguns meses lá, recebo uma ligação da minha mãe. Meu pai sofreu um ataque cardíaco (o terceiro dele), e provavelmente não sobreviveria. Foda. O seguro pagou minha passagem de volta, e dois dias depois de eu voltar ele faleceu. Infelizmente não cheguei nem a falar com ele, pois estava sob sedativo. Depois disso fiquei mais três semanas com minha família, mas decidimos que era melhor eu voltar pra Alemanha enquanto eles se reerguiam aqui, além de ser um gasto a menos pra eles. Voltar pra Europa não foi fácil, cheguei a ter algumas crises de depressão e atravessar esse período de luto longe da família foi bem difícil. Pelo menos já havia feito algumas boas amizades por lá que me ajudaram durante esse momento.
Estava chegando o verão e a temporada de festivais. Não tinha companhia pra ir comigo, então decidi ir sozinho pra um festival no sul da Alemanha, quase na fronteira com a Áustria, chamado Earthshaker Fest. Iriam tocar, entre outras bandas, Motorhead, Sepultura, Kreator, UDO, Sabaton, Testament... Vi onde iria ser o festival e comprei um bilhete de trem pra cidade mais perto, que se não me engano era Kreuth. Comprei barraca, saco de dormir, e fui completamente na louca, falando mal e porcamente alemão, sem Google Maps e sem planejar nada.
Desembarquei em Kreuth (que ainda era longe do local do evento) e comecei a mostrar o panfleto do festival pra pessoas aleatórias na rua, e ninguém sabia nada. Chegou a bater um mini desespero, mas daí perguntei pra um senhor de bicicleta; ele deu um sorrisão e exclamou “JA, JA! Komm mit, komm mit! Follow! Follow!” e saiu pedalando, e tive que ir correndo atrás da bicicleta dele enquanto ele gritava “Follow! Follow!”. Depois de uns 10 minutos correndo, chegamos numa estação de ônibus. Ele me apontou um ônibus “This! Last stop!”. Eu agradeci, e embarquei no ônibus.
Depois de uma hora e meia de viagem mais ou menos, o ônibus já estava vazio. O motorista para num cruzamento no meio do nada com lugar nenhum e manda eu descer. “Letzter Halt!”, última parada. Obedeci, e o ônibus foi embora. Era uma encruzilhada, e não tinha uma alma viva ali perto. “Fodeu”, eu pensei, mas daí vi um carro estacionado bem longe, e fui até ele. Quando cheguei perto, vi que o banco de trás estava cheio de material de acampamento, e os caras estavam claramente indo pro festival. Ufa, pelo menos estou no caminho certo. Pedi uma carona, mas já sabia que não ia dar porque o carro estava cheio. Pelo menos eles me apontaram pra onde ir. “12km praquela direção”. Bom, é melhor eu começar a andar então...
Fui andando na beira da estradinha, que estava vazia. Quando eventualmente passava um carro eu levantava o dedão pedindo carona, mas não tive sucesso. Depois de uns 10 minutos caminhando, já tinha me conformado que teria que andar os 12km, quando ouço uma música vindo de longe. Olho pra trás, e é uma van vermelha tocando metal no último volume vindo na minha direção. Pensei “é agora ou nunca” e estendi o dedão. Os caras passam por mim e param uns 30 metros adiante.
Da van pula um alemão gritando, vestindo só um chapéu de bombeiro, colete de couro e um kilt, além de um copo de cerveja em cada mão. O som tava rolando alto, nem perguntei pra onde eles estavam indo, só entrei na van onde tinha mais 3 caras além do motorista, e TRÊS BARRIS DE CERVEJA. DOS GRANDES. Eles estavam eufóricos, rindo, berrando, falando comigo em alemão, e eu falei “WAIT, WAIT! Please, english only! I’m from Brazil”. Daí que os caras surtaram de vez “YEAAAH BRAZILLL, SEPULTURAA, FUCK YEAAAH” e fui alegremente bebendo na van até o festival.
Chegando lá, armei minha barraca do lado do acampamento deles e passamos boa parte do tempo juntos. O clima da área do camping era animal, muita gente se divertindo, bebendo, curtindo... aquela frieza típica dos alemães não existia lá. Chegamos um dia antes do festival começar, então os shows começariam só no dia seguinte.
O clima de camaradagem entre completos desconhecidos era algo que eu nunca havia visto. Uma hora eu estava andando pelo camping e tinha um cara sentado numa mesa do lado de um trailer. Ele me chama pra tomar uma cerveja ali com ele. Peguei uma garrafa que estava num cooler na mesa e disse “muito legal tua estrutura aqui”, e ele respondeu “não é meu!” Perguntei de quem é. “Não faço idéia!” Na mesma hora chega com um sorrisão no rosto o dono do trailer, um gordo barbudo cabeludo de 1,9m de altura. Ele se senta na mesa e distribui mais cerveja pra todo mundo, e ficamos um tempão ali enchendo a cara.
Inclusive não gosto muito desse negócio de síndrome de vira-lata, mas a diferença entre festivais do Brasil e de lá é brutal. Não é nem questão de estrutura, mas de energia mesmo. O último que fui aqui no Brazil, o Zoombie Ritual em 2013, porra, tinha uma galera escrota pra caralho, um cara chegou a puxar briga comigo por causa de barraca, me estressei bastante. Totalmente diferente. Enfim...
No festival encontrei dois brasileiros, um era representante da Roadie Crew e o outro acho que era do Whiplash, os dois estavam cobrindo o festival. Minha primeira noite de acampamento foi uma merda, dormi mal pra caralho, muito barulho e muita zona. Então combinei com o cara da Roadie Crew de pagar uma quantia pra ele e dormir no chão do quarto de hotel que ele tava, que era bem pertinho. Então a barraca ficou só de QG durante o dia no festival, e à noite tomava banho e dormia no hotel.
O legal desses festivais é que várias bandas fazem sessão de autógrafos, então aproveitei pra pegar autógrafos das bandas que curtia. E com absolutamente todas, eu chegava pra alguém “ei, vamo ali no bar tomar uma cerveja?”, e todas recusavam. Até que fui pegar o autógrafo de uma banda inglesa de prog metal relativamente desconhecida (que eu curtia pra caralho) chamada Threshold. O vocalista original tinha acabado de sair da banda, e quem estava cobrindo pra ele era um cara chamado Damian Wilson. Eu já conhecia o trabalho do Damian, ele fazia o vocal das músicas do Rick Wakeman (tecladista do Yes), Alan Wakeman, e fez também um personagem no que considero um dos melhores discos já gravados, “Into The Electric Castle”, do Ayreon.
Falei pra ele “bora tomar uma cerveja ali no bar?” e ele topou na hora, pulou por cima da mesa e fomos. Tomamos um chopp e ficamos batendo papo, mas chegava muita gente falar com ele. Ele disse “vamos no restaurante das bandas lá atrás que é mais tranquilo”, e eu respondi que não tinha acesso àquela área. O cara imediatamente tira a credencial de banda dele e coloca no meu pescoço. “Pode deixar que eu dou um jeito de pular ali por trás”.
CA-RA-LHO. Bom, tomara que essa merda dê certo. Passei tranquilo pela segurança, que viu a credencial. ACESSO TOTAL. Encontrei de novo o Damian ali atrás, e era mais ou menos hora do almoço do último dia do festival. Ele me pergunta se eu estou com fome. Tava morrendo de fome, e comendo mal pra caralho desde que cheguei. “Só um pouquinho”. Entramos no restaurante das bandas, e vários músicos estavam lá. Muitos eu não conhecia, mas que eu reconheci era o Paulo Junior do Sepultura, e o Mike Terrana do Masterplan.
Fui levado até a mesa da banda do Damian, onde ele me apresentou pra cada um da banda e me fez sentar ali. Peguntou “você come carne?” eu disse que sim, e lá foi ele fazer um prato de pedreiro pra mim no buffet. Enquanto almoçava fiquei conversando com os músicos, todos absurdamente simpáticos, e tirando a barriga da miséria. As mesas eram todas muito juntas, e daqui a pouco chega o Dani Filth pra almoçar, e senta exatamente do meu lado. Ele estava com “meia” fantasia pro show que ainda iria fazer, sem a maquiagem, mas com as calças do capeta. Eu até curto um pouco de Cradle of Filth, mas não conheço quase nada. Virei pra ele e falei “parabéns pelo álbum novo” (nem tinha ouvido na verdade). O cara foi um lorde gentleman, extremamente simpático, agradeceu e ficou um tempão falando sobre como o álbum foi escrito.
Dali a pouco o Damian diz “você gosta de Within Tempation? Vem aqui, deixa eu te apresentar eles”, e me levou até o camarim dos caras. Infelizmente só estava o guitarrista lá, e os dois ficaram conversando e eu fiquei boiando.
Não lembro exatamente como, mas acabamos nos separando. E eu fiquei com a credencial dele. “Bom, vou aproveitar né”. Andei por tudo lá atrás, cruzava com o pessoal das bandas, mas tentava não chamar muito a atenção. Encontrei meu amigo da Roadie Crew lá atrás “como que vc entrou aqui???” Contatos, meu amigo... na hora do Motorhead, entrei pelo backstage e assisti sentado no palco, de trás, quase do lado da bateria. No meio do show, resolvi ir ali no chiqueirinho dos fotógrafos, na frente do palco, tirar umas fotos. Vários fotógrafos profissionais com câmeras gigantes, e eu com a minha camerazinha mais barata do mundo. Nesse momento quase deu merda: eu ainda estava com a pulseira de “plebeu”, de público normal. Um segurança agarrou meu braço, e eu imediatamente mostrei a credencial! O cara largou, mas ficou cabreiro, e eu saí logo dali.
O Motorhead foi a última banda a tocar. infelizmente só consegui a credencial no último dia, mas deu pra aproveitar o festival bem pra caralho do início ao fim e fechando com chave de ouro. Só com muita sorte pra ter outra oportunidade dessas.
No fim, adiei minha volta pro Brasil pra algumas semanas depois desse evento por conta da minha família. Mas olha, esse final de semana me abençoou num dos períodos mais difíceis que já passei.
Alguns anos depois, num show do Iron Maiden em Curitiba, encontrei o cara do Whiplash que conheci lá no festival. A primeira coisa que ele me disse: “CARA, o Damian Wilson tava louco atrás de vc!!! Ele se ferrou porque não conseguia ir em lugar nenhum sem a credencial!” Ops...
Um tempo depois contatei o Damian pelo Facebook, com a foto da tal credencial e pedindo desculpas. Ele nem se lembrava mais, achou engraçado, e me chamou pra tomar um pint quando eu estiver em Londres.
Na foto, a credencial e alguns dos autógrafos que peguei durante o evento. Desculpem se enrolei demais e fugi do tema, mas acabei me empolgando.
Qualquer hora conto a história de como enchi a cara com o Edguy, mas daí sem incluir a minha história de vida.

https://imgur.com/a/19VyNWP
https://i.imgur.com/kMHIDEq.jpg
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2019.02.28 03:13 fdantasb Elevadores, bicicletas e idosos

Como vão vocês? Pessoal, recentemente mudei de apartamento, estou em um condomínio de um prédio solitário que tem como maior parte dos moradores idosos. O prédio é legal, mas recentemente passei por uma situação inusitada. Tenho bicicletas, e as guardo no meu apartamento, logo, quando preciso sair desço pelo elevador com a bicicleta. Numa bela tarde, o porteiro me interceptou, pois eu estava utilizando o elevador social (eu pegava o primeiro que vinha, e não sabia que a diferençapara o elevador de serviço era o espelho). Até aí tudo bem, posso me adaptar ao elevador de serviço, mas no dia seguinte o zelador foi até mim (logo depois de eu descer com a bicicleta no elevador correto) e me disse que eu não posso descer com bicicleta pelo elevador, eu poderia sim deixar minhas bicicletas na garagem do prédio. Perguntei se tinha alguma regra que estava sendo desrespeitada, e a resposta que tive foi que há um morador antigo que reclamou, disse que mora aqui há mais de 20 anos e os filhos dele nunca desceram com a bicicleta no elevador, não seria esse cara que chegando agora que iria descer. Minhas bicicletas são caras, tenho apreço por elas, e não vou deixar na garagem no amontoado que ficam as outras bicicletas, e também não tenho vontade de deixá-las na vaga do carro, expostas. Perguntei se havia regulamento interno com as normas de convivência, e me informaram que não tem.
O que vocês acham? Meto o louco e uso o elevador de serviço, e arrumo confusão e talvez uma multa? Continuo descendo de escadas e espero o velho morrer?
Resumo: tem um velho que está reclamando por eu utilizar o elevador de serviço pra descer com minha bicicleta. Qual seu conselho?
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2018.11.19 07:48 josimar_oliva Cama da mãe

O celular desperta mais uma vez. Seis e meia da manhã. Sempre coloco na função soneca para tentar dormir mais uns minutinhos. Na segunda vez que o celular desperta aquela música de alegria eu dou um pulo da cama e vou direto para o banheiro escovar os dentes e trocar de roupa enquanto a água do café ferve. Depois gasto quinze minutos para chegar ao trabalho de bicicleta. Ando igual louco por entre os carros com o fone ouvindo grudado nos tímpanos tocando My Blood Valentine no talo. Chego desnorteado na empresa e só penso em bater o cartão. Sempre chego atrasado mas não me importo com a cara feia do encarregado. Sou terceirizado e não devo nada para essa merda de empresa. Sei que provavelmente serei mandado embora depois da experiência mesmo. Mas dessa vez o encarregado me deu um esporro na frente de todo mundo e disse que se eu me atrasasse outra vez, era para ir direto para o RH da terceirizada. Como um bom gado que precisa de trabalho, apenas acenei com a cabeça e disse que não aconteceria novamente.
Quando cheguei em casa a noite minha mãe estava limpando meu quarto. — Meu filho, que bagunça é essa? Você tá ficando relaxado. Tu não era assim. — Embora não fosse, minha mãe sempre me tratou como filho único. Ainda mais quando saí de casa para morar sozinho. Ela todo dia vinha aqui ver se eu tinha almoçado, se eu já tinha lavado minhas roupas e etc, essas coisas que mãe faz. Depois de tanto tempo desempregado minha mãe não queria que eu perdesse aquele trampo. — Tá foda, mãe. Todo dia tem que fazer hora extra. (Hora extra essa que vai para o banco de horas). Hoje quase que fui para o RH porque me atrasei de novo. Esse celular sempre me deixa na mão (Miiintiiira! Eu que sempre quero dormir mais um pouco e não escuto o celular despertar). — Respondi de dentro banheiro enquanto tirava a roupa e jogava no chão. — Por isso eu não confio nessas tecnologia nova. Não dispenso meu rádio relógio. Todo dia ele desperta seis horas da manhã tocando na primeira oração do Davi Miranda. — Minha mãe respondeu enquanto entrava no banheiro pra catar minhas roupas sujas. — Ouh mãe! To cagando! — Eu respondi sentado na privada segurando o celular. — Deixa de besteira menino! Quantas vezes já limpei esse teu cu preto?
— Amanhã eu vou trazer um relógio de corda que era da tua vó. Ele nunca falha. Só precisa levar no relojoeiro pra acertar ele. — Respondi minha mãe apenas com um “ahã” enquanto via um vídeo de gatinho na tela do celular. — Tô indo meu filho, deixei a janta no micro-ondas, tá? — Respondi com outro “ahã” — Fui. Beijo. — Ela disse indo embora. Só ouvi a porta da kit-net batendo.
No outro dia de manhã acordei com cheiro de café antes do celular despertar. Minha mãe estava lá na pequena cozinha olhando a água preta com pó de café subir com a fervura. Antes de derramar o líquido ela desligou e passou o café pelo coador de pano. Levantei mal humorado como sempre e nem olhei pra ela. Fui direto para o banheiro. Voltei, tomei café enquanto ela arrumava a hora do relógio vermelho de corda que era da minha vó. Era bem antigão. Chega tinha aqueles dois sininhos em cima. — Pronto, agora você não vai perder mais a hora com esse aqui. — Ela disse colocando o relógio em cima do criado-mudo ao lado da minha cama. Fui para o trabalho no galpão logístico. Era a primeira vez que eu chegava antes do sinal de bater o cartão apitar. Era dureza puxar aqueles paletes com mais de uma tonelada pra cima e para baixo dos corredores com aquela empilhadeira manual que não recebia uma gota de lubrificante a décadas. Meu corpo doía mas de certa forma eu estava feliz. A quanto tempo eu não sabia o que era ter emprego? A quanto tempo eu não sabia o que era ter dignidade? A noite voltei pra casa e minha mãe estava lá no meu barraco de novo. — Cade suas roupas sujas, meu filho? — Disse ela logo quando eu cheguei. — Mãe deixa minhas roupas aí. Eu sei me virar. — Eu disse um pouco ríspido. Ela saiu meio cabisbaixa com a roupa na mão. Eu fiquei meio estranho mas eu estava tão cansado que nem percebi que eu a tinha magoado.
No outro dia acordei com um barulho ensurdecedor de metal batendo como se fosse uma bateria de black metal extremo tocando num show de horrores do inferno. — Caralho, como desliga essa merda? — Fiquei uns cinco minutos tentando desligar aquela peste barulhenta. Minha cabeça chega começou a doer com aquele TRIIIIIIIMMMM maldito. Novamente minha mãe estava na cozinha passando o café. Passei por ela muito puto porque ela colocou o bicho para despertar mais cedo do que eu colocaria. Estava tão raivoso que nem tomei café e nem respondi ao bom dia que ela me deu. Peguei minha Poti azul e saiu com o fone de ouvido dentro do meu cérebro em direção ao galpão.
Chegando lá, mais um dia de empurra e puxa carrinho quebrado pra cima e pra baixo. Aquelas rodas de silicone estavam só o pó da rabiola. As vezes emperravam quando tinha muito peso em cima da palheteira. Então eu tinha todo um trabalho de buscar outro palhete, colocar metade dos produtos nele, levar o palhete com metade dos produtos para a carregar no caminhão, depois voltar e buscar o outro palhete com a outra metade dos produtos. Conclusão: eu não conseguia fazer metade da meta de produção que era imposta para nós fazer durante o dia. No fim do dia, o encarregado veio me chamar atenção do porque meus caminhões estavam demorando a ser carregados. Eu disse que era por causa da palheteira que estava ruim mais ele nem quis saber e disse que não era problema dele pois os equipamentos também eram da terceirizada. Saí puto demais batendo pé sobre pé com a aquela bota com bico de aço que apertava meus pés. Chegando em casa novamente minha mãe estava lá caçando alguma coisa que eu não sei. Dessa vez fui muito grosseiro com ela. — Ouh mãe, dá licença! To cansado porra! Dá um tempo! Você não tem mais o que fazer não? — Eu vi os olhos dela encherem de lágrimas. O arrependimento bateu na mesma hora mas já era tarde. Ela largou a roupa no chão, montou na bicicleta dela e saiu fora.
Só consegui dormi um pouco antes de amanhecer. Fiquei metade da noite vendo vídeos no ̶x̶v̶i̶d̶e̶o̶s̶ youtube e a outra metade da noite pensando sobre minha promessa de nunca pedir desculpas pra ninguém. Desculpas não muda o fato ocorrido. Sempre achei um desperdício chorar e pedir desculpas. Nem lembro a última vez que chorei. Então quando peguei no sono, sonhei que estava na beira de uma piscina tomando uma cerveja e com vontade de mijar mas não queria sair porque eu estava olhando a gordinha do RH de fio dental no outro lado da piscina pegando sol naquela bunda maravilhosa. Resolvi atravessar a piscina para ir falar com ela mas quando eu estava no meio da água ouvi um raio batendo na água e fazendo um barulho ensurdecedor: TRIIIIIIIIIIIMMMMM!!! Ah não! Era aquele maldito relógio de novo. Peguei aquela porcaria e taquei com todo o ódio do mundo na parede. PLAAAAU! Virou mil. Minha mãe que estava novamente na cozinha fazendo café entrou no quartinho como as lágrimas rolando pelo rosto e pegou o que sobrou do relógio da mãe dela. Agora acho que fui longe demais. Ela foi embora deixando a água com café fervendo no fogão que logo derramou e apagou o fogo.
Já tinha uma semana que ela não voltava lá em casa. Mas eu não ia dar o braço a torcer e pedir desculpas. “Tu é homem ou é um rato?” meu pai diria. Homem não pede desculpas. Fez tá feito. É o que ele também diria. Aquele dia cheguei atrasado no galpão logístico novamente. Eu me aproximava da roda de reunião quando o encarregado olhou para mim e disse na frente de todos — Você tá achando que aqui é casa mãe Joana pra chegar a hora que tu quer? Hein meu patrãozinho? Pode ir se virando lá com a terceirizada que eu não quero gente preguiçosa aqui na minha equipe não. — Os caras todos riram e eu saiu puto e de cabeça baixa. A gordinha do RH já me esperava com a rescisão na mão. Jesus, eu nunca vou esquecer daquele bundão.
Saí da empresa devastado. Montei na bicicleta fui pedalando por entre os carros, ônibus, caminhão. Minha cabeça doía. Acho que a dor era mais pela humilhação. Não consegui pensar em lugar nenhum para ir. Minhas pernas me levaram onde sempre vamos quando estamos mal. Fui pra casa da mãe do mesmo modo que quando era criança e ficava doente ia direto para a cama dela. Cheguei lá e a mãe estava no sofá fazendo crochê. Ela me olhou e pareceu que já sabia de tudo. Eu me agachei e chorei no seu colo. Chorei. Chorei, chorei, chorei alto e largado que nem criança. Que alívio! Quanto tempo eu não chorava? — Mãe, a senhora me desculpa por ter quebrado o relógio da vó? — Eu disse com o nariz todo catarrento escorrendo. — Claro meu filho. — Ela disse com uma voz doce. — E eu também fui mandado embora, mãe. Que que eu vou fazer agora? Não consigo parar em emprego nenhum. — Eu disse explodindo em lágrimas novamente. — Calma, meu filho. Deus vai dar um jeito. Deus vai dar um jeito.
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2017.02.15 22:01 Scalira Right Where It Belongs

THROW ME IN THE LANDFILL
Havia sete anos que Mick Rory não ateava fogo a nada.
Havia jurado pelo sangue de sua mãe não começar um incêndio outra vez, não importando a beleza das chamas deflagradas a beijar e retorcer a madeira. Ou o quão bonito era vê-las crescer, uma força em si mesmas, um inferno calcinante que não deixava nada em seu caminho; vibrantes como a vida e impiedosas como a morte. Havia jurado por Leonard, o garoto que conhecera trinta anos antes no reformatório e que precisara salvar de ser esfaqueado até a morte, e com quem crescera contando estórias no meio-fio de uma estrada, bicicletas jogadas a um lado, ignorando que Lenny trazia um olho roxo e que rir, para ele, doía. Leonard, dos planos infalíveis e do sorriso gatuno que lhe fazia acreditar que tudo daria certo, no fim. Dos olhos frios, das emoções reclusas, o garoto Snart que não deixava ninguém chegar perto demais para ver o que havia por trás de suas barreiras de gelo, por trás de suas defesas tão bem construídas.
Jurou pelo mesmo Leonard que chorou à sua hospitalização.
Mick não tinha como saber com certeza.
Havia começado como sempre começa: uma chama inocente queimando em algum lugar; uma faísca. E Rory a alimentara para vê-la crescer e consumir e devorar: uma deusa dourada, implacável e cruel, verdadeira e justa. Ela o chamava, o convidava a descobrir os segredos do universo, aqueles segredos sussurrados apenas na sabedoria do fogo e, oh!, ele os queria descobrir. Os sons calavam quando o fogo falava e tudo ao redor – a casa rangendo, as vigas retorcidas, o teto desabando – nada disso importava, nada disso valia se o fogo apenas dissesse que o queria, chamasse seu nome...
Estava engolido nas chamas quando Leonard voltou por ele.
Estavam no meio de algo importante, não estavam? Mick já não conseguia se lembrar o que era. Tantos anos de vida no crime tornavam difícil distinguir os roubos pequenos dos grandes, os assaltos a mão armada dos intrincados planos milionários e com o fogo tão perto, tão quente e tão gentil, Rory não conseguia sequer lembrar-se de onde estavam. Alguém gritou que não deviam ter chamado o incendiário; uma voz tão fraca que implicava distância e pés fugidios que se afastavam do prédio, mas não os de Leonard. Os de Leonard faziam o caminho inverso, para longe da segurança e da noite clara e fumarenta e para dentro do inferno e do fogo, querentes de levar Mick com eles.
— Mick! — O ouviu gritar, não pela primeira vez. Mas o som era tão distante, tão fraco e irrisório frente ao estalar das chamas que não se voltou para vê-lo — Mick, nós temos que ir! Mick!
Outra noite Mick teria ouvido. Se as mãos de Leonard – aquelas mãos enluvadas, finas demais para esses trabalhos – o houvessem conseguido alcançar, Mick teria ouvido. Só que as chamas o engoliam em uma miríade, uma torrente, um paraíso de labaredas dançantes e sedutoras que se postavam entre ele e Lenny. Mick não podia ser alcançado. Não podia ser detido. As chamas o consumiriam e – deus, ele não negava – a morte seria bem-vinda.
Em algum momento, a voz de Lenny calou. Em algum momento, a escuridão o tragou. Em algum momento, as chamas cessaram.
Não esperava acordar.
Passou dias em tratamento intensivo. Quando foi finalmente movido a um quarto não recobrou a consciência. Foram semanas entre a realidade e a ilusão, o sonho e o desespero, alucinando na tênue linha da mortal eternidade. Mais de uma vez pensou-se morto; a voz canora de sua mãe o chamava de filho e o convidava a ir para casa. Tantos anos perdido e agora finalmente encontrava o caminho de volta – era questão de seguir e aceitar. Mas noite dessas ouviu um soluço. Um soluço que pedia para ser perdoado, que pedia desculpas, que chorava em seu leito. Na junta do pescoço com o ombro, sentiu suas lágrimas. Elas trilhavam um caminho salgado nuca abaixo e era o único gosto de realidade que este sonho ainda tinha.
— Mick — Naquela voz roubada de Lenny, quebrada de choro — Mick, eu sinto tanto.
E aquela ilusão não convencia porque Lenny jamais pediria desculpas – jamais teria pelo que se desculpar. Tudo o que fizera, todos esses anos, fora salvar Mick do inferno de ser quem era. Trazer à sua vida o mínimo de normalidade. Lenny era uma constante, uma luz em meio a tormenta de se estar perdido sem saber de onde viera ou para onde iria. Leonard o fez sentir-se como parte de algo outra vez e Mick não se sentia assim desde a infância, vivendo em uma cidadezinha campestre a oeste da civilização. Embora as memórias deste tempo não estivessem exatamente lá, uma parte de si se lembrava amado e querido. Lembrava, também, de ter uma família e de ser mais do que empecilho ou ferramenta; lembrava de pertencer e do calor dos abraços, dos afagos e dos beijos, das noites embaladas de estórias e da afeição incontida. Por que Leonard se desculparia por ser sua família?
— Mick, eu sempre... — E as palavras sussurradas só para ele ouvir eram sonho e fantasia, eram delírio e pesadelo, eram tudo o que Mick sempre quisera e mais do que podia aceitar e este Leonard era utopia que selava o que tinham de um jeito que nenhum dos dois jamais se atreveu.
Mick nunca teve como saber com certeza que aquela noite não fora um delírio. Que Leonard Snart, o próprio, viera ao seu leito e chorara por ele por pensar-se culpado de alguma mágoa só sua. Mick jamais soube, mas a lembrança desta noite – sonho ou realidade – fê-lo prometer que nada daquilo se repetiria, mesmo que implicasse se afastar para não ferir; dar as costas ao bando de Leonard sem dizer para onde ia, incapaz de crer-se estável o bastante e controlado o bastante para deter-se diante das chamas. E se tivesse que escolher entre Leonard e o fogo, não estava bem certo do que escolheria. Para viver consigo, debaixo daquela casca de corpo onde deveria ter um homem, Mick deu-lhe as costas e não olhou para trás. Leonard não o procurou.
Sete anos e as coisas continuavam iguais.
Controlar a vontade do fogo não foi fácil.
Esses anos todos foram repletos de remédios e terapia, visitas psiquiátricas e duras observações. Os grupos de apoio – Mick pagou com a língua por rir dos imbecis que a eles se juntavam – foram, talvez, a mais útil das medidas que tomara. Saber-se junto de outros seus iguais ajudava. Aplacava essa voz insistente e ranzinza, gritando que era um doido; um psicótico que, como o fogo, só era capaz de calcinar e destruir, deixando nada além de cinzas por onde quer que passasse.
Foi difícil aceitar que não teria a companhia das chamas outra vez.
Não foram poucas as vezes que se viu em recaída olhando para labaredas que subiam e estalavam e beijavam e mordiam. Embora os fogos jamais tenham saído de controle, a pontada de culpa logo virava maré e mar em ressaca e Mick se via à deriva nessas águas de autocomiseração.
Toda vez que se olhava no espelho – e ele se forçava a se encarar no espelho, a camisa puxada acima dos ombros para ver os estragos – tinha de ver os ombros e as costas lavrados de cicatrizes; marcas fundas na pele que se arrastavam para todos os lados como um polvo cujos tentáculos jamais se esticariam o bastante para naufragar navios no mar branco de suas costas. O horror que o fogo deixara manchara para sempre sua carne e sua vida.
Uma parte sua gritava que essa era sua verdadeira natureza: monstruosa, deformada, tingida pelas chamas que tanto amava e a que se entregaria sem pensar, consumido na abençoada inconsciência que o fogo traria. Mas outra parte – o todo de quem era – tinha de se lembrar que não era por ele. Era por Leonard. Porque aquelas marcas poderiam muito bem não ter acabado em seu corpo, mas em Leonard. O mesmo Leonard que se orgulhava da pele macia, das mãos finas de gentleman, da beleza que traía o fosso onde crescera com seu pai e irmã. Aquelas marcas do fogo poderiam ter-lhe tomado a vida, a forma, o corpo e a carne; incinera-lo a uma massa pútrida e informe a ser deixada para trás para ser reconhecida pelos dentes. E teria que suportar Lisa olhando para ele – para aquilo que restara do irmão – e erguendo os olhos de princesa para encará-lo com raiva, com ódio, com as chamas do fogo gritando vingança.
Todas as vezes que se via no espelho Mick Rory se forçava a ver este cenário, vivo como uma brasa que queimasse em sua mente e por trás de suas retinas. E todas as vezes que baixava a camiseta estava resoluto a seguir em frente mais um dia.
Fugiu para algum lugar da boa e velha América, para uma dessas cidades sem nome que malmente figuram em um mapa. Bom lugar para permanecer de tocaia, para esperar a poeira baixar até que as coisas se acertassem outra vez, para largar-se com as costas no chão e os pés para cima até seu cheiro desaparecer na poeira da estrada. Mas este era seu passado falando; um Mick Rory que não existia mais.
As coisas nunca se acertariam outra vez.
Este lugar era agora sua casa, inda que lar fosse uma palavra que não usaria de novo. Não era amado, tampouco temido. Os anos que ali vivera o tornaram uma constante dessa cidadezinha; um membro que era pouco mais que figuração, parte da paisagem, rotina. Tinha um emprego medíocre numa oficina mecânica e se comprazia em dar ofício às mãos. Quando elas trabalhavam, calejadas e sujas de graxa, a mente se ocupava dos detalhes e das peças, das engrenagens e dos parafusos e se afastava da escuridão que gritava pelas chamas.
Os dias passavam indiscerníveis e iguais. Era uma existência monótona, preto e branca, tão diferente dos tempos efervescentes que passara com os Snarts e seu bando. Volta e meia se pegava pensando naqueles roubos, nas expressões aparvalhadas da polícia, na pilhagem e nos espólios e ria sozinho. Seus colegas o tomavam por louco – e como estavam certos, mas pelas razões erradas! –: o imbecil musculoso que dava para falar sozinho e rir por motivo nenhum. Mick deixava que pensassem o que quisessem. Leonard o havia convencido, tantos anos antes, dos benefícios de ser subestimado e de passar despercebido.
— Ei, grandão! — Porque nesse lugar esquecido por deus ele não tinha um nome. Era “o grandão”, “você aí”, “o cara lá”. Tudo certo. — Tem alguém procurando por você!
E lá nos fundos da oficina estava Leonard Snart, o próprio, bem do jeito que Mick lembrava.
Após sete anos no escuro, Mick Rory viu as chamas outra vez.

Leonard Snart era um homem de palavra.
Ele não acreditava em deixar um dos seus para trás, muito menos em trair a confiança que lhe fosse imposta. Não eram muitas as pessoas que mereciam seu apreço e estas poucas com quem se importava eram aquelas que protegia. Leonard sabia que, em sua linha de trabalho, aqueles que você ama são sempre usados contra você; as únicas coisas que podem te ferir são as dores causadas àqueles por quem você daria a vida. Mas não se importar era a mesma coisa que não estar vivo. Lenny preferia os riscos desta afeição a uma existência vazia que não se perdoaria viver.
Assim, quando Mick Rory deu baixa no hospital – o mesmo hospital para onde Leonard o havia arrastado num desespero de que nem bem se lembrava; o hospital que tivera de pagar do próprio bolso, arrumando um emprego de fachada – e decidiu por conta que não iria voltar com eles, mas sim partir para sabe deus onde, Leonard teve que engolir o orgulho e a honra e todas as bonitas palavras ensaiadas que o fariam ficar. Teve de medir sua paciência e impedir-se de fazer algo de que se arrependeria. Teve de respirar e forçar-se a encontrar a calma; um lugar dentro de si para onde ia para esquecer de quem era. Teve de fechar os olhos e saber que era melhor assim.
Quando Mick partiu Leonard não o procurou.
Havia algo naquelas costas que sumiam na distância que diziam que essa vez não era como as outras. Que Mick não voltaria com um sorriso vagabundo e um ar de cachorro abandonado, nem que Leonard devesse procura-lo e consertar fosse lá o que houvessem quebrado. Len tentava esquecer que talvez fossem as cicatrizes – aquelas fundas e feias cicatrizes que carcomiam a carne e que rajavam os ombros e que despontavam mesmo das mangas longas dos casacos. Tentava esquecer que talvez fosse o fogo, talvez fossem as chamas, talvez fosse um chamado. E tentava esquecer que Mick Rory não voltaria atrás naquela decisão.
Melhor assim, era o mantra repetido para se convencer de que não falhara com Mick. De que não fora sua culpa as coisas terem chegado tão longe. De que não fora preciso que um dos dois quase morresse para verem que não podiam seguir em frente, não assim. Melhor assim. E tinha que se forçar a engolir essa sensação de que estava deixando Mick para morrer, como um gato velho demais e doente demais que se afasta de casa para perecer sozinho.
Os trabalhos foram surpreendentemente bons ao longo dos anos.
Leonard sabia que não ter Mick por perto tinha lá suas vantagens.
Para começar, era muito mais fácil pensar sem tê-lo por perto. Era fácil planejar seus golpes sem se preocupar se Rory conseguiria manter-se sob controle, se conseguiriam entrar e sair sem serem vistos ou se acabariam o dia engolidos em chamas. Era menos estressante; fazia bem não ter que olhar sempre atrás de si e procura-lo, não ter que se preocupar com ninguém além de si próprio durante um assalto. Mas o preço que Leonard havia pago não compensava o lucro dos ganhos. Era Lisa quem apontava as olheiras, frutos de noites mal dormidas. E resmungava por serem dois idiotas, um mais cabeça dura que o outro.
— Ele não quer ser encontrado, Lisie — Falou certa feita. Erguia os olhos das plantas dos prédios que estudava antes de haver cochilado.
— O que não quer dizer que você não deva ir atrás dele.
E aquela foi sua última palavra sobre o assunto.
Len, sendo o sujeito racional que era, teve de analisar todo prospecto possível que a situação exigia. Se – e era um grande “se” – voltasse por Mick, como as coisas seriam entre eles, então? Ele tinha de saber-se mais confiável; saber que impediria o outro caso a situação fosse outra vez tão extrema. Os pesadelos, mesmo passado anos, se repetiam iguais. Eram cacofonias de gritos e fogo e o estalar e ranger da madeira. Lembrava de acreditar que o arrastava morto para fora da casa, desesperado demais para qualquer outra coisa que não agir por impulso. De jogá-lo para dentro do carro e deixar joias e dinheiro para trás, pouco se importando se era o lucro de uma vida e todo o trabalho pelo que haviam sofrido e trabalhado e que as chamas engoliam. Não havia pedido por uma ambulância porque se acreditara sem tempo. Estivesse acordado, Mick reclamaria por Lenny estar dirigindo. Estivesse acordado, Len jamais tocaria o volante. Mas Mick não estava acordado e não iria acordar e Len precisava dirigir – e, droga, dirija! Milagre terem chegado ao hospital inteiros. Milagre, também, Mick ter vivido para contar aquela história. E Leonard o deixou ir porque não suportava a ideia de não poder protege-lo; de ter que vê-lo morrer diante dos seus olhos, ao alcance das mãos, mas ainda assim tão longe.
Levou tempo para aceitar que tinha tanto medo de ferir-se como tinha medo de feri-lo.
Quando se aquietou com a situação teve de tomar coragem para encontra-lo de novo. Sabia que Mick não o culpava, mas isso não tornava as coisas mais simples. Havia essa sensação enredada no estômago que lembrava uma ânsia; um nervosismo mal dissimulado da culpa auto infligida.
— Vá vê-lo, Leonard. — Lisa só o chamava de Leonard quando a coisa era mesmo séria — Ele vai gostar de te ver.
A isso Leonard havia sorrido como quem duvida, mas as sobrancelhas da irmã o repreendiam e o desafiavam a dizer o contrário. Vencido, Leonard Snart fez as malas para o interior, sem saber que o destino tem seu próprio jeito de brincar com a vida das pessoas. Estava de passagem comprada quando a voz de Lewis Snart o assaltou no telefone:
— Ei, rapagão — O tom, o timbre, a voz que lhe embrulhava o estômago — Estava na cidade, então pensei: por que não ligar, não é? Não é isso o que quer dizer família?
Mas Lewis Snart não era sua família desde que Leonard se lembrava.
Seu pai, Lewis, havia sido um policial, mas havia sido há muito tempo. Isso antes de aceitar os subornos e as rondas ilícitas e cair nas graças da máfia e das famiglias. Só que era um criminoso de raia miúda, desleixado e arrogante, crente de ser melhor e mais esperto do que a polícia onde trabalhava. Apenas sua cegueira insolente não via que era o mais medíocre dentre os ladrões; que seus trabalhos e serviços eram desimportantes o bastante para não serem notados, indignos de confiança e desdenhados por qualquer outro que não ele. Não, não ele, ansioso como um cão atrás de um osso, mas nojento e pérfido como um rato. Nenhum dos figurões do crime o levava a sério, mesmo que fosse sempre bom ter um ou dois tiras no bolso.
Quando pego, Lewis deu nomes que ninguém rastreou. Falou de pessoas que nunca existiram. Dedurou colegas e ligações que ninguém se importou em checar. E, quando solto sem patente ou distintivo, procurou as famílias jurando não ter aberto o bico nem dito palavra. Um larápio mais inocente acreditaria. Não foi nem preciso forçar as condições de sua prisão: ele tinha o péssimo hábito de não ser bom em nada e de entrar em seu próprio caminho. O incumbiram do roubo de uma esmeralda tão grande quanto o punho de um homem e Lewis Snart foi pego em flagrante. Resistira à prisão. Ofendera os oficiais. Ficara preso cinco anos até sua soltura e o tempo que lá passara acabaram por transformar em escória o que já era um homem podre.
Virou um bêbado incorrigível. Para esquecer, ele dizia. Esquecer que tinha uma família inútil que o arrastava; três bocas para alimentar que nada faziam além de pedir, reclamar e cobrar. Deus, dia desses se tivesse uma arma ele faria por merecer esses anos na cadeia. E deixava isso claro todas as vezes que batia na esposa. Que porcaria de comida era aquela, afinal? Ele se matava nas ruas para conseguir pôr comida na mesa e, quando o fazia, ela cozinhava o regurgito de um gato? A puta precisava apanhar para saber que o lugar dela era com a barriga colada no forno ou as pernas abertas na cama. E batia nos menores pelos gritos, pelo choro. Até pelas risadas baixas que dessem enquanto ele próprio dormia. Esses diabos tinham que aprender a respeitar o santo sono de um homem. Lenny e a irmã iam dormir aos prantos com o lombo ardendo das varadas e do açoite. Certa vez passara as mãos de Leonard a ferro quanto o molequinho tentou pegar seu troco da venda. Um dólar e setenta, para um sorvete. Tinha que aprender a não foder com ele. E não era tudo uma lição agora? Batia neles para que aprendessem a calar a boca, para aprenderem respeito, para abaixarem a cabeça e aceitar.
Dia daqueles a mulher fugiu sem os filhos. Deixou-os para trás no desespero de ver-se livre do marido. Talvez tenha crido que ele a acusaria de sequestro, de leva-los contra sua vontade. Fosse como fosse, nunca voltou para busca-los nem nunca olhou para trás para lembrar-se de que tinha família.
Leonard cresceu sendo o escudo da irmã. A pequena Lisie, tanto tempo mais nova, fora a única alegria que seus pais o deixaram. Seu sorriso de menina e risinho cristalino eram doces como o orvalho e Leonard se embevecia deles para esquecer a vida miserável que tinha. Quando os tapas e o açoite eram demais durante o dia, Lenny se achegava a ela de noite e lhe contava estórias. De princesas e dragões e de finais felizes. Ela apertava a sua mão e beijava sua bochecha e, escondido no escuro, Leonard chorava quieto para não desperta-la.
Jurou protege-la. Durante todos os anos que cresceram com aquela pobre desculpa de pai, Leonard cumpriu sua promessa. Não deixava que o homem relasse nela suas mãos. Sempre que bebia e parecia que sua ira explodiria em um dos dois, Leonard fazia questão de ser este um. Sempre ao alcance de seus tapas e de seus socos e sempre distante de Lisie. O mais que podia, pedia para que ela ficasse em seu quarto e não tivesse que ver nada que não queria. Sendo boa menina, ela obedecia. Pedia que ficasse quietinha. Pedia que fosse boazinha. E Lisie era boazinha e quieta mesmo quando as vozes erguiam oitavas e coisas voavam pela casa. Não dizia palavra nem mesmo quando seu irmão voltava para o quarto tingido de roxo, vermelho e do evanescente amarelo de abrasões que não tinham tempo de curar antes de serem cobertas por outras novas.
— Diz logo o que quer e desliga.
— Vai com calma aí, rapaz. Não erga a voz para o seu pai.
Os dedos se juntaram na ponte do nariz. Uma dor de cabeça surda surgiu de lugar nenhum.
— Mas já que quer saber, talvez eu precise de ajuda num trabalho importante.
— Não.
— Eu não diria que você está em posição de recusar. Diga olá pra ele, querida.
— Lenny! — A voz de Lisie gritou ao telefone — Lenny, não faça nada do que ele pedir, eu vou ficar bem, Len- hmmph-
— Cale essa boca, acho que ele já entendeu — O sorriso palpável do outro lado da linha — Não é, Lenny? Vai querer ajudar seu velho pai?
Leonard não teve como dizer não. Teve, também, de ver o ônibus chegar e partir enquanto ficava com os pés presos na estação.

[ Bom gente, é isso. Fim do primeiro capítulo, BUT- tem mais. Bem mais. Mas queria saber aí a opinião de vocês, porque é :'3 ]
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